surrealismo - Clóvis Lima

31/05/2007→ Un chien Andalou (1929) de Louis Buñuel (roteiro de Dali) “surrealismo” total. Como a corrente, filme nascido a partir dos sonhos do diretor e do roteirista/ Legendas desconexas (legendas que não condizem com a imagem)/ Não obedece uma narrativa/ Chocante para a época e revelador também (Cinema do Real)/ Por volta de 1925 ainda no contexto do positivismo francês (o não haver consciência de esperar por algo revolucionário ≠ do idealismo alemão que originou o nazi-facismo).

Surrealismo (acima do real)→ um chamado do inconsciente para o fazer artístico/ ficção e realidade se mesclam, não são tão dissonantes.

 

Contexto do entre Guerras/ Freud e o surrealismo/ Teatro surrealista é bem mais recentre e partiu das influências já experimentadas por outras linguagens/ Canalizar as energias da embriaguês (narcótico eminente), (paixão) para a revolução/ O surrealismo propõe um mergulho em si mesmo não carecendo de qualquer outra droga (que enebria)/ o que não é forma poética é real (material) Entre Ato filme dadaísta de René Claire.

corpo e espaço - Clóvis Lima

23/05 /2007→ Diferentes planos/ pontes para foco/ Olhar o corpo no espaço, seus diferentes níveis/ A interação com pessoas dentro do espaço/ Os diferentes ir ao chão, que também é espaço,  e depis ir para o alto preenchendo com diferentes formas e volumes/ Percepções diferentes a partir do espaço e maior número de possibilidades a partir disso/ Descer, subir e caminharvariando o tempo e as direções/ Nada deve ser ignorado/ O público não deve ser ignorado.

Hidráulica por Clóvis Lima

13/05/2007 na Hidráulica→ Um espaço que éo oposto do espaço que foi visto no Bosque da Física. Clima futurísticoao trabalho e perigo do que pode fugir ao controle e nos sugar. Quantidade incrível de informações facilmente dedutíveis e realistas, do que realmente é, ao invés do que pode ser ou não que é o caso do Bosque/ A mescla de pessoas com o espaço podem torna-lo mais “poluído”(com informações desnecessárias e em excesso)/ Visões de vários planos dentro de um mesmo espaço. Metais, ferragens, cor verde: o espaço é forte e tudo grita.

 

06/06/2007→ Limitações quanto ao uso da Hidráulica/ O corpo é um texto em que cada parte é uma palavra, sílaba, letra, etc./ A Hidráulica que abre uma fresta para que possamos fazer o show/ O conhecimento dum novo espaço e todas suas novas referências, que aguçam nossa percepção/ Movimentos que agem por si só (movimento parcial)/ Movimentos que integram o todo (movimento total)/ O som expelido junto aos movimentosou aos pontos do espaço nos prepara para o que virá e o que faremos na real/ Integrando todos esses elementos em vários espaços, mesmo que de maneira superficial, integraremos com mais facilidade o espaço central (o que utilizaremos pra valer, seja a Hidráulica ou não)/ O som vai sendo expelido com menos cautela com o tempo/ Provando que as falas virão com todos já em ponto-de-bala para pronunciá-las/ Sem estranhamento/ A pausa caracteriza a música tanto no som como no movimento/ Chão e análise/ scaneamento do corpo: o que toca o chão; olho, cabeça guiada pelo olho e vice-versa; dedos, palmas das mãos, punho/ Um movimento leva o outro. Dedos dos pés, solas dos pés, pés/ Pernas sem tirar o pé ou algum ponto pé do chão/ Depois para qualquer direção/ Ar, etc./ Todos os tipos de movimento/ O gosto investigativo corporal.

 

14/06/2007→ Imerção dos corpos no espaço/ O espaço de elementos altamente mecânicos exercem influências sobre a imagens corporais formadas/ Movimentos repetitivos/ Ritmados.

O perigo excita as imagens que se formam favorecendo a busca pelo risco e pelo limite do espaço: o que ele pode oferecer, e do corpo: o que ele pode agüentar.

O receio do espaço tranforma-se em curiosidade nos abrindo as muitas possibilidades/ Os sons quase inimagináveis surgem de maneira espontânea e consciênte, num ritmo natural.

Tudo lembra algo caótico prestes a se tornar ordem (algo de esperança), que pairava nas composições dos corpos no espaço.

A imprecisão está na locomoção de um local para outro/ O espaço que nos acolhe pelo mundo que é, revela armadilhas, limitações que podem ou não serem superadas/ Depende não dos atores, mas do próprio espaço/ O que ele achar que não deve ser pisado, não será/ Corpos frágeis em meio a força e grandeza das ferragens.

 

 

das hidraúlicas...

 

Cada dia o espaço se torna outro, ainda que o mesmo. Vidraças e muretas aparecem como que brotadas de um dia para o outro, regadas a muita água parada no tempo e pó de ferrugem. Acho que de tanto sulfato de ferro as plantas que aqui nascem viram escadas e canos, com excessão das plantas de nossos pés que do apalpar cego começam a correr, pular e até mesmo balançar num cumprimento de até logo ao chão, refletido em espelhos d'água turvos e planos. Qual é a profundidade dos poços? Será que a hidráulica não cresce também pra baixo? Eu queria fazer uma viagem lá pra baixo uma vez, ao centro, e entender as madeiras rangedoras que separam a superfície dos alicerces. Penso nas vozes off que podem sair dos pageadores de poços, vozes do interior do espaço, onde não vemos. Talves haja uma passagem para tóquio que só o "Rid" conheça, e talvez tenha a contato para a Anna Dulce. Suspeito. Suspensão.

dri escher

 

AS CIDADES DELGADAS 1  Ítalo Calvino

 

   Pressume-se que Isaura, cidade dos mil poços, esteja situada em cima de um profundo lago subterrâneo. A cidade se estendeu exclusivamente até os lugares em que os habitantes conseguiram extrair água escavando na terra longos buracos verticais: o seu perímetro verdejante reproduz o das margens escuras do lago submerso, uma paisagem invisível condiciona a paisagem visível, tudo o que se move à luza do sol é impelido pelas ondas enclausuradas que quebram sob o céu calcário das rochas.

   Em conseqüência disso, Isaura apresenta duas religiões diferentes. Os deuses da cidade, segundo alguns, vivem nas profundidades, no lago negro que nutre as veias subterrâneas. Segundo outros, os deuses vivem nos baldes que, erguidos pelas cordas, surgem nos parapeitos dos poços, nas roldanas que giram, nos alcatruzes das noras, nas alavancas das bombas, nas pás dos moinhos de vento que puxam a água das escavações, nas torres de andaimes que sustentam a perfuração das sondas, nos reservatórios suspensos por andas no alto dos edifícios, nos estreitos arcos dos arquedutos, em todas as colunas de água, tubos verticais, tranquetas, registros, até alcançar os cataventos acima dos andaimes de Isaura, cidade que se move para o alto.

INSTRUÇÕES DE COMO ORIENTAR O OLHAR DO PÚBLICO PARA ONDE VOCÊ QUER QUE ELE ENXERGUE

Bom gente como vocês já devem ter percebido, eu, o João, não estou indo aos ensaios do Jogos do Olhar. Diversas coisas que estão acontecendo na minha vida hoje me impedem de continuar a ir aos ensaios e discussões, mas saibam que eu tenhos saudades de todos. De qualquer forma tomei a liberdade de escrever esse post, já que no sábado fui a uma peça no Espaço Satyros I e me lembrei muito da questão do público com o espaço.

A peça era "Aqui ninguém é inocente", dirigida pelo Maurício Paroni de Castro e baseada num texto do Voltaire de Souza, com produção de uma amiga minha. Enfim, a peça trabalha com um elemento legal que do direcionamento do público para onde se quer que o foco de visão seja direcionado. Antes do início da peça, uma das atrizes pedia que todos se reunissem no bar em frente ao teatro. Ela se apresentava e apresentava os outros personagens, com apenas uma frase. Pedia que os acompanhasse para fora do teatro, para dar uma volta na praça Roosevelt, onde acontecia uma quermesse.

As pessoas se dividiram em grupos que seguiram seu personagem escolhido. Elas eram orientadas a manter uma certa distância do personagem e não interagir com ele, haveria um momento para isso. Apesar da orientação de ir atrás de seu personagem, eu admito que perdi o meu no meio do caminho e acabei seguindo outro, já que todos estavam bem próximos. Apesar de eu ter me perdido, rsrsrs, os atores conseguiam manter a atenção para o que eles faziam, talvez por causa da tensão em estar em um ambiente mais amplo e a expectativa de ver a continuidade dos acontecimentos dentro do espaço do teatro.

Meu personagem foi um dos primeiros a adentrar o teatro e a partir desse momento já era permitido que se sentasse no espaço delimitado para o público. Obviamente eu fui dos últimos a entrar e uma das pessoas na platéia me direcionou que me sentasse num local específico. Durante a peça achei que haviam alguns atores (do espetáculo) no meio do público, mas depois descobri que eram atores, só não estavam trabalhando. Minha desconfiança foi devido interação deles com o que estava acontecendo, mas não havia uma relação específica além do fato de nenhuma daquelas pessoas estar vendo a peça pela primeira vez. E esse espetáculo sugere que você assista a peça mais de uma vez, pois as situações nunca se repetem.

Outro ponto interessante foi a questão do superenquadramento. Antes dos atores se dispuserem pelo espaço, eles carregaram grandes painéis que colocaram pelas paredes do teatro. Os painéis eram desenhos dos personagens. Um dos atores rasgava o papel que envolvia uma das telas e uma personagem aleatória era revelada. Ela encaixava essa imagem na estrutura central instalada no meio do palco. O ator se posicionava entre ela e uma moldura (superenquadramento) e saia dessa moldura para contar sua história. Obviamente a intensão de sair do quadro era até visualizada, mas não com toda a força e intenção de quem tivesse de frente para a moldura.

A peça foi legal, os clichês foram explorados de forma interessante, mas isso não vem ao caso aqui. Mas apesar da força do título (Instruções... é só uma inspiração no meu autor favorito, Julio Cortázar, que muito utiliza o termo em seus contos), é só uma sugestão de como as coisas podem funcionar.

João Marcelo

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