Protocolo de 22-23-24-30-31/01
A Hidráulica não fez falta! Não que ela seja dispensável. Ela não é – eu sou da opinião que levar o projeto para outro espaço seria iniciar um novo processo, o que não tem coerência. Mesmo assim, nesses primeiros cinco ensaios do ano foi bom poder olhar para as cenas diante de um fundo branco. Foi como colocá-las no microscópio. Pudemos trabalhar na minúcia, nos detalhes e nos preocuparmos em resolver, ou propor soluções para problemas que passavam despercebidos ou que nunca foram encarados.
Além disso, o trabalho corporal, para mim, pareceu aprofundado. Não sei se pela irregularidade com que eles acabaram acontecendo no final do ano passado ou pelas faltas ou por qualquer outra razão, eu não havia me sentido seguro sobre o que estávamos trabalhando como me senti no “intensivão”. Ou vice-versa: a constância de trabalhar dias seguidos traz essa sensação de domínio. Enfim, depois de um dia de trabalho, a continuação já vinha no dia seguinte, ainda estava tudo fresco na cabeça (estou falando dos direcionamentos). E é gostoso se sentir direcionado!
Os novos exercícios mostraram também que não é preciso saturar os exercícios antigos para propôr algo novo. Eles (os novos exercícios) dão uma arejada no trabalho – além de suas finalidades específicas.
Daniel Cordova
Clóvis Lima
1 – Cá estamos novamente. Rostos amadurecidos, olhares atentos e as velhas angústias.
Não conseguimos pelo protocolo ou pela discussão esmiuçarmos o que realmente ocorreu no ensaio passado.
Até muitas cabeças elétricas, não conseguem, ás vezes, ascender uma lâmpada!
Receio: Dani não está entre nós;
Notícia má: Dri não poderá mais estar conosco. Fato que foi recebido sem entusiasmo.
Será Que nos acostumamos a conhecer pessoas que não mais estarão entre nós?
Dessa forma a notícia veio de uma forma menos pior do que antigamente: sem dúvidas,
clara e de alguém que não vai atravessar para o outro lado da rua quando caminharmos em sentido oposto.
Vamos, ao menos, poder cumprimentá-la: “Bom dia Dri!”.
2 – Outra dúvida no ar: Jú, também, não está entre nós.
Sem delongas, a acidez no estomago nunca está em quem falta, mas no estomago de quem veio.
Um sal-de-fruta a todos; ou deixamos de atacar os nulos para defender os presentes: quem vemos na roda?
BOLA-PRA-FRENTE!
3 – As práticas dos workshops se aproxima com ansiedade.
As regras de seleção são postas à roda. Regras rigorosas, necessárias ou não, vão selecionar aqueles que prefiro chamar de parceiros.
O Coletivo não muda.
O teor da discussão põe dúvidas quanto às características de pontualidade e dedicação das pessoas selecionadas, pois
não podemos saber quem vai furar com o coletivo e como esses serão punidos.
Furos existirão, mas também pessoas ficarão para integrar o grupo.
- Talvez coloquemos uma pergunta para ser respondida na carta de interesse: “Você é forte?”
4 – Leitura do roteiro de São Paulo S/A. Um fonte rica de materiais que podemos usar.
- Gosto do Cão latir para Luciana;
- Gosto das rubricas descritivas;
- Gosto do Arturo na voz do Fê.
- Gosto do que É Carlos.
5 – O pedido de casamento da cena do Fê agora abrange a todos: “Ficamos casados por mais um ano?”
Emendamos boas propostas de mestrados, uma continuidade?
A Casa das Caldeiras aponta-se como nosso futuro lar. Por mais um ano. Casa, já temos, um compromisso matrimonial (a ser prorrogado) também.
O que mais falta?
6 – Fechamos com incertezas, mas com certo gás de ânimo e com um desejo:
“Sal-de-fruta à todos”.
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24\01\08
(Aquele ensaio em que o Pitta san ainda fumava...)
1- Começamos o encontro por volta das 18:45 , e discutimos meio pé de assunto antes da Carú aparecer pra explicar para o grupo porque é que ela não vinha mas. Foi bem legal da parte da Carú aparecer pra falar com o grupo todo e mais uma vez agente se embananou todinho, nem ela falou que não vinha mais e nem a gente conseguiu falar muita coisa.
( Acho mesmo que o Clovis estava certo quando disse que nós discutimos de mais, parece que a energia Yin que predomina no grupo fez com que tenhamos muitas Dr’s.)
2- Retomamos os jogos da Anne Borgat no aquecimento e foi possível observar que o último exercício foi executado com mais ansiedade do que no ensaio anterior. Pode ser que esse jogo sirva como diagnóstico do dia.
Em um dos jogos a gente tinha que tentar alcançar as costas do coleginha da frente sem deixar seu tocado pelo coleginha de trás, em algum momento do jogo a Verô pediu que a gente não corresse, foi difícil baixar a velocidade devido ao excesso de competitividade dos coleginhas ( Ou algum nível de absurdo na proposta??)
Esse jogos são mais dinâmicos do que os jogos de aquecimento que nós fazíamos no ano passado, parecem proporcionar um ‘’estado de trabalho’’ para o corpo mais rapidamente.
3- Trabalhamos os direcionamentos ósseos do Klauss Viana, algumas pessoas, inclusive eu, sentiram dificuldade em trazer os direcionamentos para o movimento.
4- Trabalhamos as cenas da primeira seqüência da hidráulica, a proposta é que cada um dividisse sua cena em pequenas partituras.
Executamos as partituras primeiro em 16 tempos, depois em 8, 4 e 2 tempos. Começamos a esculpir o tempo da Lena.
5- Estamos trabalhando ainda no limbo de não saber o que será do nosso projeto, em suspenção...Trabalhamos por trabalhar, pra trabalhar e porque trabalhamos juntos / acho que no fim das contas a gente só queria se ver.
6- Feliz 2008 Jonny!!!!!
23/01/08
Encontro prático, o corpo volta ao trabalho, uma preguiça inerte começa a dar lugar à outros estados.
Novos jogos de prontidão e presença são apresentados ao grupo. O corpo se organiza para adaptar-se a regra.
Correr todos juntos, coração acelerado chão.
Identificar o peso das partes do corpo, observar sua estrutura e suas sutis alterações.
‘’ Nossa como eu estou tensa.’’
Meu corpo foi encontrado o chão, cedendo a gravidade, reposicionando os apoios.
Esfregando a pele no chão, cada lado, ativando e despertando a presença de cada parte.
Utilizar os apoios para passar de um nível à outro do espaço.
Recuperar nosso experimento hidráulico ‘’Na sala branca, sem objetos’’...
Tarefa complicado, porém muito divertido e sugestivo.
O corpo ganha evidência, destaque, a qualidade e desenho dos gestos denúncia suas intenções.
Interessante observar as novas ‘’edições’’ , que nossas imagens podiam ganhar...E quem sabe, talvez, transbordar para além dos muros hidráulicos.
Protocolo de Kátia Lazarini.
Para nós mesmos. Para o ar congelado, onde queremos mostrar a ele que existe vida e movimento na hidráulica. Para as máquinas que nos usa para conversar, já que elas não têm com quem falar.
Falamos para o público e para quem quiser ouvir, ora falamos com as máquinas e com tudo que tem ali. No fundo falamos para nós mesmos para o tempo. Talvez alguém interessado em teatro ou cinema.
Ai. Toda humanidade parece imbecil. Não vejo as coisas como sendo para alguém em especial, talvez não me pareça: Ai, ai. Para todos que buscam se verem como responsáveis pela humanidade, pelo rumo dela, pela sua história. Um público que vê sempre a ‘responsa’ em outro lugar, que não
Eu não sei mesmo, de algum modo para todos, pois acho que essa busca de ancestralidade, os questionamentos que estão surgindo não são específicos a grupos, mas a todos. É uma relação do homem e sua criação, do tempo assado e a pressa dos dias. Acho que o público pode ser qualquer um que queira tocar um pouco nessa ferida, nesse masoquismo de pensar e repesar, sentir, criar novos mundos.
Pessoas inquietas. Duras – o oposto de moles. Insatisfeitas. Boas inquisidoras. Reflexivas. Jovens. Estudantes da USP. Senhores da POLI, transmutados hidráulicos. Seres humanos duros e moles ($). Quem cansou da TV, de entretenimento, de ver o tempo passar, de pagar o preço da pressa. Um pipoqueiro.
(ou resposta para outra pergunta, sobre o tempo presente)
O que é a verdade e o que é o irreal? Me comunico com as paredes e as máquinas como se delas emergissem rostos, com ouvidos, que pudessem ver e ouvir. O que me aflige é esses rostos desses seres serem mudos: a réplica é telepática, lhes ouço na minha mente. Vou pirar.
Desculpa, não sei responder.
No início achei que essa era uma pesquisa que só interessasse a pessoas de teatro, uma vez que seria um resultado muito técnico, mas da primeira vez que vi as coisas acontecerem na hidráulica, vi que é um trabalho para pessoas que entendem e se sensibilizam com as imagens por outras vias que não sejam as racionais. Quando entro na hidráulica, entro como em uma exposição de vídeo arte, numa galeria... Eu sou um público.
Me traz a idéia de missão, como chegar em uma casa nova e botar ordem na bagunça. Hora de lembrar do passado e planejar o futuro. Junto com isso, viver momentos marcantes. A missão para mim é mudar a cara do espaço, é encontrar essa nova cara...
Falamos com o tempo, como máquinas. Acho que há uma grande influência nisso. Crises, stress. Queremos por vida, movimentar, responder o oposto do que o espaço nos quer expressar. Morte, a luzes de hospital. Recortes demais, nos dá vontade de sermos uma foto. Quanto mais gritamos, menos escutamos. Parece que o espaço não deixa fazer o que queremos.
Abstrair o concreto, o ferro, o aço, a água. Levar a voz a todos os lugares, até debaixo de nós. Vontade de saltar, pular muito alto. Vontade de crescer. Dar o troco: engolir o espaço que tenta me engolir. Explorar o inexplorável: até as águas que dão nojo. Adentrar o subsolo oco que desconhecemos.
Neste espaço parece que a dimensão humana se abala, o olhar se torna mais reto e fica menos subjetivo... mas os pequenos esconderijos já começam a ganhar significação. O corpo se perde mais e fica mais permeado pelos outros elementos do lugar. Nada me vem a cabeça que seja leve ou feliz, é tudo muito pesado e duro. Algumas imagens começaram a surgir e os sons são interessantes, mas assustadores.
Fala pelo contrário, da vida do corpo da alma, suscitou tudo aquilo de mais primitivo e tudo que acaba com a espontaneidade. Admirar nossa desgraça, mas ver que o primordial – vivo - está ali. Os pássaros, o coro, os macacos, a curiosidade em meio a tato, todo caos, vivem vidas submersas. Carpas de olhos fechados que não sabem o que se passa ali. Aves que se libertam. Há algo sim, que resiste.
Televisão. Luz de TV. Tempo de TV.
Homem-máquina. Maquinação de corpos. Corpos fabricados, embreados
Senti um vento frio que me gelou o espinho. Tudo muito grande acaba virad u breu, pessoas se perdem no espaço ou o espaço perde as pessoas! Lá viramos máquinas, pássaros ou simplesmente pó!?!
As cenas nascem de imagens, às vezes o tempo que temos é para isso mesmo, ver e fazer.
O espaço é pesado e a gente sente esse peso sobre o nosso corpo. É difícil se livrar das informações dele. Como disse, a gente fica um pouco máquina, ou mesmo uma sensação de estar fora do lugar. As cenas são sempre fechadas, não, essa não é a palavra, mas tem em si um pânico, um encaixotamento, o espaço é grande, mas aprisiona de certo modo. É difícil pensar em fluidez, e redondos, em relações mais afinadas,
Vontade de voar, de ir para o alto, vertigem de altura. Pessoas em alta velocidade que saltam, trepam, escalam, correm em todos os níveis e lugares. Várias mãos, pernas, cabeças sob todos os ângulos que somem e aparecem rapidamente para depois voltarem a sumir e aparecer.
Vontade de sentir o chão tremer, junto com todo o resto.
A Hidráulica é um lugar de concreto que ainda não tem alma, um lugar agreste e difícil de se ter acesso, assim como um labirinto onde nunca se consegue ter a noção de todo. É um espaço em que fica muito difícil de se ouvir não só pela acústica desfavorável mas também pela dispersão de atenção que proporciona.
Há uns dias atrás pesei: “Ai, acho que deveríamos ter ficado com o velódromo. Acho que a Hidráulica não ta rolando”. Às vezes penso isso um pouco com aquela bagunça, a sujeira não me incomoda, mas a bagunça às vezes, a falta de clareza, a dificuldade de vê-la sinto falta de céu, luz mesmo luz da noite, parece que aquelas janelas nunca iluminam lá dentro e falta calor, vida.
Água, ferrugem, cheiro, barulho, Isaura, mulher de ferro e água, água subterrânea, submersão, imensidão ocre, ganchos. Pequenos recortes que se revelam, mas ainda não formam um todo.
Tenho a sensação de estar num formigueiro, cheio de caminhos a serem descobertos tudo muito grande, tenho a impressão de estar num lugar vazio, mesmo com tantas máquinas.
O cheiro de ferrugem e o ar parado. Máquinas adormecidas, um passado quieto, verde das firmas que conheci quando era pequena. Sempre imagino carpas nos tanques com água, carpas escuras e de olhos fechados. Me sinto pequenina, andar se torna uma ato grande, assim como respirar. A luz é amarela, branca, não sei, cansa, é como se eu ficasse um pouco máquina lá dentro, meio verde. É difícil manter a atenção, são tantas informações e buracos... frio, graxa, portões gigantes.
Grande, alto, largo, misterioso, macabro, eco. Longo caminho a ser percorrido. Luzes, vazio, esconderijo. “Isaura, mulher de ferro e água”.
Cheiro de mofo, frio, umidade, calafrio, grande, pesado, verde, sugador, morto, curioso, impressionante, surpreendente, sujo, escuro, alto, maquinal, quadrado, cronometrado, pó.
Clóvis Lima
05/07/2007
É Pinball...
Quando se entra no jogo,
como quando alguém te empurra na piscina funda,
onde você aprende a nadar...
Primeiro jogo: Pinball/ Téreo , nosso mundo mais próximo da terra, da água submersa,
imóvel esperando algum estímulo pra ferver.
Não ebuli mas esquenta com nossa agitação em roda com ritmo, agitar, movimentos solo e coletivos/
Segundo, vamos espreguiçar o espaço usando nossos corpos com quatro apoios/
Imagens: captmos o que elas verdadeiramente são ou apenas uma fração do que elas realmente significam?
05/07/2007, Quando os corpos crescem frente a um espaço que tenta lhes engolir/
Isaura é quem pensamos ser: Aquela que acolhe e é acolhida.
Tudo vale a pena pois a Hidráulica não é pequena!
Isaura contra um tubo, um cano uma parede/
Vendo de fora sabe-se lá o que se vê, vendo de dentro: tudo aquilo que temos:
seres dispostos a jogar, a arremessar, sejam Isauras, sejam cuspes coletivos, seja a poeira.
Todos os obstáculos valem pontos.
Drops, Jackpots, Rampas de tiro, Rebotes.
Onde ganhamos...
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Clóvis Lima
21/06/2007
Primeira parte: Assimilação do espaço com alongamentos/.
O grupo se fizesse sentir dentro do espaço inserindo-se nele/ como parte dele.
Ritmo, passo-a-passo, no compasso do grupo.
Atenção! Olho no grupo e todo no espaço.
Entrando no coro, o Corifeu, e aí meu?!
Algo está nos observando, que legal!
Claquete cena 1: o Carrinho nos recepciona e nos guia para um trailler.
O foguete que voa, num ritmo barulhento, até o fundo dum aquário
Dali para cima dum mundo de vários mundos
Onde cada ser convive de maneira estranha com seus brinquedos gigantes Chegando até a voar com eles.
Aquiles que lhes observam começam a incomodar a ponto deles pedirem, de maneira acintosa, que esses se retirem:
Vai! Saiam daqui! Sai, sai!...
Retornam ao foguete que observam pelo lado de fora, pois há seres que o envolvem, agora sem emitirem som.
Porém lançam um estranho poder que nos faz refletir a partir deles que fazem surgir outros seres que como eles estão envolvidos de puro Mistério.
Onde eles estavam?
De onde é que eles vem?
Retornam a base.
Próxima missão: achar pontos a serem explorados e analisados.
Três são encontrados: o programa da loucura com direito a uma histérica motivada por uma alavanca querendo e não querendo algo, sei lá...
Vale a pena dizer que era angurstiante observar aquele caos/
por mesmo assim este ser interessante.
Da histérica brotam dois seres que reagem aos seus desejos.
Ela os espele para longe. Ganham vida e se mandam para um outro aquário onde se desfazem acendendo uma luz em outro ponto,
mais abaixo, terceiro espaço, onde surge uma prateleira que caminha com corpos que repousam.
Também ganham vida. Simpatizam entre si dando as mãos para depois voltarem a sumir reaparecendo
estáticas dentro do aquário junto de novos seres.
Desaparecem e surgem momentaneamente de formas diferentes.
Deu o tempo.
Saem pela direita apressados.
Continua no próximo episódio...
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31/05/2007→ Un chien Andalou (1929) de Louis Buñuel (roteiro de Dali) “surrealismo” total. Como a corrente, filme nascido a partir dos sonhos do diretor e do roteirista/ Legendas desconexas (legendas que não condizem com a imagem)/ Não obedece uma narrativa/ Chocante para a época e revelador também (Cinema do Real)/ Por volta de 1925 ainda no contexto do positivismo francês (o não haver consciência de esperar por algo revolucionário ≠ do idealismo alemão que originou o nazi-facismo).
Surrealismo (acima do real)→ um chamado do inconsciente para o fazer artístico/ ficção e realidade se mesclam, não são tão dissonantes.
Contexto do entre Guerras/ Freud e o surrealismo/ Teatro surrealista é bem mais recentre e partiu das influências já experimentadas por outras linguagens/ Canalizar as energias da embriaguês (narcótico eminente), (paixão) para a revolução/ O surrealismo propõe um mergulho em si mesmo não carecendo de qualquer outra droga (que enebria)/ o que não é forma poética é real (material) Entre Ato filme dadaísta de René Claire.
23/05 /2007→ Diferentes planos/ pontes para foco/ Olhar o corpo no espaço, seus diferentes níveis/ A interação com pessoas dentro do espaço/ Os diferentes ir ao chão, que também é espaço, e depis ir para o alto preenchendo com diferentes formas e volumes/ Percepções diferentes a partir do espaço e maior número de possibilidades a partir disso/ Descer, subir e caminharvariando o tempo e as direções/ Nada deve ser ignorado/ O público não deve ser ignorado.
13/05/2007 na Hidráulica→ Um espaço que éo oposto do espaço que foi visto no Bosque da Física. Clima futurísticoao trabalho e perigo do que pode fugir ao controle e nos sugar. Quantidade incrível de informações facilmente dedutíveis e realistas, do que realmente é, ao invés do que pode ser ou não que é o caso do Bosque/ A mescla de pessoas com o espaço podem torna-lo mais “poluído”(com informações desnecessárias e em excesso)/ Visões de vários planos dentro de um mesmo espaço. Metais, ferragens, cor verde: o espaço é forte e tudo grita.
06/06/2007→ Limitações quanto ao uso da Hidráulica/ O corpo é um texto em que cada parte é uma palavra, sílaba, letra, etc./ A Hidráulica que abre uma fresta para que possamos fazer o show/ O conhecimento dum novo espaço e todas suas novas referências, que aguçam nossa percepção/ Movimentos que agem por si só (movimento parcial)/ Movimentos que integram o todo (movimento total)/ O som expelido junto aos movimentosou aos pontos do espaço nos prepara para o que virá e o que faremos na real/ Integrando todos esses elementos em vários espaços, mesmo que de maneira superficial, integraremos com mais facilidade o espaço central (o que utilizaremos pra valer, seja a Hidráulica ou não)/ O som vai sendo expelido com menos cautela com o tempo/ Provando que as falas virão com todos já em ponto-de-bala para pronunciá-las/ Sem estranhamento/ A pausa caracteriza a música tanto no som como no movimento/ Chão e análise/ scaneamento do corpo: o que toca o chão; olho, cabeça guiada pelo olho e vice-versa; dedos, palmas das mãos, punho/ Um movimento leva o outro. Dedos dos pés, solas dos pés, pés/ Pernas sem tirar o pé ou algum ponto pé do chão/ Depois para qualquer direção/ Ar, etc./ Todos os tipos de movimento/ O gosto investigativo corporal.
14/06/2007→ Imerção dos corpos no espaço/ O espaço de elementos altamente mecânicos exercem influências sobre a imagens corporais formadas/ Movimentos repetitivos/ Ritmados.
O perigo excita as imagens que se formam favorecendo a busca pelo risco e pelo limite do espaço: o que ele pode oferecer, e do corpo: o que ele pode agüentar.
O receio do espaço tranforma-se em curiosidade nos abrindo as muitas possibilidades/ Os sons quase inimagináveis surgem de maneira espontânea e consciênte, num ritmo natural.
Tudo lembra algo caótico prestes a se tornar ordem (algo de esperança), que pairava nas composições dos corpos no espaço.
A imprecisão está na locomoção de um local para outro/ O espaço que nos acolhe pelo mundo que é, revela armadilhas, limitações que podem ou não serem superadas/ Depende não dos atores, mas do próprio espaço/ O que ele achar que não deve ser pisado, não será/ Corpos frágeis em meio a força e grandeza das ferragens.
Cada dia o espaço se torna outro, ainda que o mesmo. Vidraças e muretas aparecem como que brotadas de um dia para o outro, regadas a muita água parada no tempo e pó de ferrugem. Acho que de tanto sulfato de ferro as plantas que aqui nascem viram escadas e canos, com excessão das plantas de nossos pés que do apalpar cego começam a correr, pular e até mesmo balançar num cumprimento de até logo ao chão, refletido em espelhos d'água turvos e planos. Qual é a profundidade dos poços? Será que a hidráulica não cresce também pra baixo? Eu queria fazer uma viagem lá pra baixo uma vez, ao centro, e entender as madeiras rangedoras que separam a superfície dos alicerces. Penso nas vozes off que podem sair dos pageadores de poços, vozes do interior do espaço, onde não vemos. Talves haja uma passagem para tóquio que só o "Rid" conheça, e talvez tenha a contato para a Anna Dulce. Suspeito. Suspensão.
dri escher
AS CIDADES DELGADAS 1 Ítalo Calvino
Pressume-se que Isaura, cidade dos mil poços, esteja situada em cima de um profundo lago subterrâneo. A cidade se estendeu exclusivamente até os lugares em que os habitantes conseguiram extrair água escavando na terra longos buracos verticais: o seu perímetro verdejante reproduz o das margens escuras do lago submerso, uma paisagem invisível condiciona a paisagem visível, tudo o que se move à luza do sol é impelido pelas ondas enclausuradas que quebram sob o céu calcário das rochas.
Em conseqüência disso, Isaura apresenta duas religiões diferentes. Os deuses da cidade, segundo alguns, vivem nas profundidades, no lago negro que nutre as veias subterrâneas. Segundo outros, os deuses vivem nos baldes que, erguidos pelas cordas, surgem nos parapeitos dos poços, nas roldanas que giram, nos alcatruzes das noras, nas alavancas das bombas, nas pás dos moinhos de vento que puxam a água das escavações, nas torres de andaimes que sustentam a perfuração das sondas, nos reservatórios suspensos por andas no alto dos edifícios, nos estreitos arcos dos arquedutos, em todas as colunas de água, tubos verticais, tranquetas, registros, até alcançar os cataventos acima dos andaimes de Isaura, cidade que se move para o alto.
INSTRUÇÕES DE COMO ORIENTAR O OLHAR DO PÚBLICO PARA ONDE VOCÊ QUER QUE ELE ENXERGUE
Bom gente como vocês já devem ter percebido, eu, o João, não estou indo aos ensaios do Jogos do Olhar. Diversas coisas que estão acontecendo na minha vida hoje me impedem de continuar a ir aos ensaios e discussões, mas saibam que eu tenhos saudades de todos. De qualquer forma tomei a liberdade de escrever esse post, já que no sábado fui a uma peça no Espaço Satyros I e me lembrei muito da questão do público com o espaço.
A peça era "Aqui ninguém é inocente", dirigida pelo Maurício Paroni de Castro e baseada num texto do Voltaire de Souza, com produção de uma amiga minha. Enfim, a peça trabalha com um elemento legal que do direcionamento do público para onde se quer que o foco de visão seja direcionado. Antes do início da peça, uma das atrizes pedia que todos se reunissem no bar em frente ao teatro. Ela se apresentava e apresentava os outros personagens, com apenas uma frase. Pedia que os acompanhasse para fora do teatro, para dar uma volta na praça Roosevelt, onde acontecia uma quermesse.
As pessoas se dividiram em grupos que seguiram seu personagem escolhido. Elas eram orientadas a manter uma certa distância do personagem e não interagir com ele, haveria um momento para isso. Apesar da orientação de ir atrás de seu personagem, eu admito que perdi o meu no meio do caminho e acabei seguindo outro, já que todos estavam bem próximos. Apesar de eu ter me perdido, rsrsrs, os atores conseguiam manter a atenção para o que eles faziam, talvez por causa da tensão em estar em um ambiente mais amplo e a expectativa de ver a continuidade dos acontecimentos dentro do espaço do teatro.
Meu personagem foi um dos primeiros a adentrar o teatro e a partir desse momento já era permitido que se sentasse no espaço delimitado para o público. Obviamente eu fui dos últimos a entrar e uma das pessoas na platéia me direcionou que me sentasse num local específico. Durante a peça achei que haviam alguns atores (do espetáculo) no meio do público, mas depois descobri que eram atores, só não estavam trabalhando. Minha desconfiança foi devido interação deles com o que estava acontecendo, mas não havia uma relação específica além do fato de nenhuma daquelas pessoas estar vendo a peça pela primeira vez. E esse espetáculo sugere que você assista a peça mais de uma vez, pois as situações nunca se repetem.
Outro ponto interessante foi a questão do superenquadramento. Antes dos atores se dispuserem pelo espaço, eles carregaram grandes painéis que colocaram pelas paredes do teatro. Os painéis eram desenhos dos personagens. Um dos atores rasgava o papel que envolvia uma das telas e uma personagem aleatória era revelada. Ela encaixava essa imagem na estrutura central instalada no meio do palco. O ator se posicionava entre ela e uma moldura (superenquadramento) e saia dessa moldura para contar sua história. Obviamente a intensão de sair do quadro era até visualizada, mas não com toda a força e intenção de quem tivesse de frente para a moldura.
A peça foi legal, os clichês foram explorados de forma interessante, mas isso não vem ao caso aqui. Mas apesar da força do título (Instruções... é só uma inspiração no meu autor favorito, Julio Cortázar, que muito utiliza o termo em seus contos), é só uma sugestão de como as coisas podem funcionar.
João Marcelo
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